Impasse na Junta de Cete

Impasse na Junta de Cete

Revisão do Plano Plurianual e Orçamento chumbada

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Orlando Rocha - CDS-PP

No dia 5 de novembro, os membros da Assembleia de Freguesia de Cete reuniram, com o objetivo de analisarem e votarem uma revisão ao Plano Plurianual e Orçamento do presente ano. Com 2 abstenções do PSD e os votos contra dos restantes partidos, PS, CDS-PP e CDU, esta retificação foi reprovada.

Com esta reprovação, pôs-se fim ao acordo entre o PSD e o CDS, extremando-se as posições. Mais estranha é a posição dos elementos eleitos pelo partido que venceu as eleições. Independentemente da posição dos centristas, que foi de oposição, bastariam as abstenções dos sociais-democratas para inviabilizar a aprovação dos documentos em causa. Tomás Correia, presidente da Junta de freguesia, já no seu terceiro mandato, vê assim a sua vida dificultada.

Em declarações ao YES Paredes, Tomás Correia esclareceu que esta assembleia extraordinária teve como objetivo retificar o orçamento da Junta: “Seria mais correta uma correção ao orçamento, visto que tivemos umas coisas urgentes que não estavam no plano, no orçamento. Tivemos de retirar dinheiro que tínhamos da conta transata, do passado, e a oposição não concordou. Tão simples como isso”.

Tomás Correia – Presidente da Junta de Freguesia de Cete

A necessidade de recurso ao dinheiro da conta a que se refere ficou-se a dever essencialmente à realização de algumas obras: “Nós só tínhamos duas sepulturas no cemitério para venda e achamos por bem fazer 24 sepulturas, que já estão construídas. Também colocamos dois pneus do trator, despesa com a qual não contávamos (custaram quase 1000 euros). Tivemos de fazer uma intervenção na rua da Várzea, onde gastamos à volta de setecentos euros. Tivemos de tirar verba para estas situações, que foram consideradas por nós obras de grande necessidade. No cemitério gastamos 11000 euros, 1000 nos pneus, e 700 na rua da Várzea”, explicou.

Crítico da postura do Partido Socialista, que considera “ atabalhoada”, faz uma interpretação pessoal do voto contra: “Trazia um documento feito, com tudo preparado para votar contra. Dá-me a sensação que eles não querem é obra, conforme este executivo está a fazer. Traziam um documento feito, onde diziam que iriam votar contra salvo se o presidente conseguisse justificar a ausência de verba. Então, se dei as explicações todas, só vejo má fé e uma política algo atabalhoada, com gente que não serve o interesse da vila de Cete. Até parece que não são de Cete” .

Confrontado com a abstenção dos membros do seu próprio partido, Tomás Correia evocou “questões antigas”, relacionadas com a festa do Senhora do Vale. “É uma situação do passado que nada tem a ver com o  orçamento”, garantiu. Apesar deste revés, o presidente da Junta crê que os membros da Assembleia “são pessoas de bom caráter e não vão fazer isso, pois sabem que, com isso, podem prejudicar a freguesia”. Por isso, dispõe-se a falar com as pessoas: “Vou pô-las a par de tudo o que se está a passar, e sei que vão colocar os interesses da freguesia à frente das questões políticas”. A mesma postura pensa adotar em relação aos membros do seu partido: “Vou elucidá-los de tudo, vou aceitar as propostas deles e julgo que, depois disso, vão ter uma opção diferente. A junta, a nível de contas, tem um saldo positivo, e realmente estas necessidades têm de ser aprovadas”, realçou.

Paulo Monteiro considera verba gasta no cemitério exagerada

Paulo Monteiro – PSD

Paulo Monteiro, do PSD, também em declarações ao YES Paredes, adiantou as razões da sua abstenção: “Eu abstive-me, e as razões foram as alterações com aqueles valores: onze mil euros para o cemitério é um valor exagerado. Há também ali um aumento das rubricas das telecomunicações que estão disparatadas. São dinheiros públicos, que têm de ser bem geridos. Poder-nos-ia ter explicado, mas não aconteceu. Para mim, tem de haver um alteração no orçamento que privilegie os interesses da  freguesia de Cete, e é isso que tem de acontecer. Temos de trabalhar em obras e nas infraestruturas na Vila, é para isso que estamos lá”.
As críticas à gestão da Junta não se ficam por aqui. Paulo Monteiro diz que questionou o executivo sobre o saldo da Junta, que é positivo, de 14 000 euros, segundo disse. “Não há muitas obras visíveis, obras quase zero, e o orçamento completo deste ano está todo gasto. Nós tínhamos de apoios para festividades 1500 euros, não gastou; tínhamos 1000 euros para uma atividade, também não gastou; tinha previsto 2000 euros para calcetamento de uma rua, também não gastou, nem um paralelo se meteu. Se o dinheiro já não existe, diga-me então onde está o dinheiro? Eu fui eleito pela população de Cete e devo defender os interesses de Cete e não de partido nenhum. Estou na lista e nem sou militante do PSD. Sou pelos interesses de Cete. O próximo orçamento será apresentado brevemente e verei o que poderá acontecer”, afirmou.

PS acusa executivo de deixar contas “à deriva”

Daniela Sousa PS

Daniela Sousa, do PS, também explicou o seu ponto de vista e o que está em causa: “É o valor de 15,472 euros que sobrou do ano anterior, que o presidente foi distribuindo por certas rubricas. Pelos vistos, já foi gasto, o que é grave. A minha posição e dos meus colegas é que somos contra isto. No passado, fizemos uma pesquisa aos documentos (até há uma queixa no tribunal) e agora as contas da junta continuam a andar à deriva, estão novamente a descambar. O presidente da Junta tem de começar a aprender que tem de levar as coisas à aprovação da Assembleia. Não é gastar e só depois levar à assembleia. O que é grave é que o CDS e os próprios do PSD inviabilizaram a aprovação. Agora temos de ver o que é que isto vai originar”.

Em causa (também) não concretização das propostas que PSD acordou com CDS

Orlando Rocha – CDS-PP

Orlando Rocha, do CDS-PP, considera que “há muitas dúvidas e muitas lacunas na retificação, tanto técnicas como políticas” e que “foi muito confuso o que nos transmitiram”. Considera, por isso que “algo não está bem, não está transparente”. “Além disso, na retificação, não consta nenhuma das propostas que o executivo acordou connosco. Estamos no fim do ano e o executivo ainda não realizou metade das propostas do nosso acordo e, como nesta retificação nada está lá, tivemos de votar contra”, explicou.
Nesta mesma edição, um artigo de opinião de um membro do CDS-PP anuncia o fim do acordo com o PSD. A confirmar-se, esta situação põe em causa a gestão da Junta, que poderá ver-se obrigada a trabalhar com duodécimos.

Por Manuel Pinho

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