“As Árvores Morrem de Pé” é o título de uma das mais famosas peças de teatro português. Essa peça contou com a atuação de um elenco notável, no qual se destacou a atriz Palmira Basto que com uma idade a rondar os 90 anos, conseguiu aquele que talvez tenha sido o papel de uma vida.
Na passada semana, a peça que se viu em Paredes, mais concretamente na freguesia de Recarei, foi outra. Do elenco, faziam parte os elementos da Junta de Freguesia de Recarei e o destaque coube ao seu presidente e o título poderia ser “As árvores foram baixo, porquê?”. Não foi pelo efeito do furacão Leslie! Não foi por qualquer outra sevícia natural! Provavelmente não foi por estarem doentes! Não foi por estarem a colocar em risco pessoas ou bens! Não foi por causa dos incêndios! Foi por ação humana! Desumana acrescentaria eu! Esta verdadeira chacina, feita com o beneplácito do executivo municipal, também ele socialista, é mais um exemplo do desrespeito com que muitos dos nossos autarcas tratam a nossa natureza, o nosso património, a nossa história. Sim porque estas árvores faziam parte da nossa história. É só pensar que a mais emblemática das árvores abatidas foi uma araucária, espécie arbórea dominante na região Sul do Brasil, oferecida à freguesia de Recarei por um “filho da terra”, emigrante nesse país sul-americano e que era considerada um testemunho vivo e traço visível da emigração recaredense para o Brasil em finais do século XIX e princípios do século XX.
De nada valeram os apelos, da população que colou cartazes nas árvores a abater a clamar misericórdia, as mensagens de alerta que inundaram os “fóruns” paredenses na internet ou os pedidos efetuados por munícipes nas páginas das redes sociais da Câmara Municipal de Paredes.
É certo que a intensão de abater as árvores não é recente, pode dizer-se até que foi premeditada há bastante tempo mas, atendendo à especificidade do assunto em questão e da sua irreversibilidade, a decisão tomada deveria ter sido precedida de uma discussão pública para que as pessoas pudessem manifestar a sua opinião onde lhes fosse explicado por que motivos se tomou esta opção.
Lamentavelmente, mais uma vez prevaleceu a lei do mais forte!
Perdida esta batalha, resta-nos o sentimento intrínseco das “Árvores que Morrem de Pé”, de que não devemos desistir dos nossos sonhos nem encolhermo-nos perante as adversidades. Se tivermos de morrer, que seja a lutar pelos nossos ideais.
Que este triste episódio não sirva, no entanto para branquear eventuais desmazelos, deixando de se dar a devida atenção às árvores (sobretudo as de grande porte) que estejam doentes e que possam provocar acidentes, quando sujeitas a episódios climáticos semelhantes ao que vivemos recentemente. Lanço então o repto para que Câmara Municipal e Juntas de Freguesias vigiem e tratem das nossas árvores, abatendo-as apenas se assim tiver de ser, não deixando nesses casos de as substituir por outras.





















