As Árvores Morrem de Pé

As Árvores Morrem de Pé

Pedro Ribeiro da Silva PSD Paredes

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Pedro Ribeiro da Silva PSD/PP Paredes

“As Árvores Morrem de Pé” é o título de uma das mais famosas peças de teatro português. Essa peça contou com a atuação de um elenco notável, no qual se destacou a atriz Palmira Basto que com uma idade a rondar os 90 anos, conse­guiu aquele que talvez tenha sido o papel de uma vida.

Na passada semana, a peça que se viu em Paredes, mais concretamente na fre­guesia de Recarei, foi outra. Do elenco, faziam parte os elementos da Junta de Fre­guesia de Recarei e o desta­que coube ao seu presidente e o título poderia ser “As ár­vores foram baixo, porquê?”. Não foi pelo efeito do furacão Leslie! Não foi por qualquer outra sevícia natural! Prova­velmente não foi por estarem doentes! Não foi por estarem a colocar em risco pessoas ou bens! Não foi por causa dos incêndios! Foi por ação humana! Desumana acres­centaria eu! Esta verdadeira chacina, feita com o beneplá­cito do executivo municipal, também ele socialista, é mais um exemplo do desrespeito com que muitos dos nossos autarcas tratam a nossa na­tureza, o nosso património, a nossa história. Sim porque estas árvores faziam parte da nossa história. É só pen­sar que a mais emblemática das árvores abatidas foi uma araucária, espécie arbórea dominante na região Sul do Brasil, oferecida à freguesia de Recarei por um “filho da terra”, emigrante nesse país sul-americano e que era con­siderada um testemunho vivo e traço visível da emigra­ção recaredense para o Bra­sil em finais do século XIX e princípios do século XX.

De nada valeram os ape­los, da população que colou cartazes nas árvores a aba­ter a clamar misericórdia, as mensagens de alerta que inundaram os “fóruns” pa­redenses na internet ou os pedidos efetuados por muní­cipes nas páginas das redes sociais da Câmara Municipal de Paredes.

É certo que a intensão de abater as árvores não é re­cente, pode dizer-se até que foi premeditada há bastante tempo mas, atendendo à es­pecificidade do assunto em questão e da sua irreversi­bilidade, a decisão tomada deveria ter sido precedida de uma discussão pública para que as pessoas pudessem manifestar a sua opinião onde lhes fosse explicado por que motivos se tomou esta opção.

Lamentavelmente, mais uma vez prevaleceu a lei do mais forte!

Perdida esta batalha, res­ta-nos o sentimento intrínse­co das “Árvores que Morrem de Pé”, de que não devemos desistir dos nossos sonhos nem encolhermo-nos peran­te as adversidades. Se tiver­mos de morrer, que seja a lutar pelos nossos ideais.

Que este triste episódio não sirva, no entanto para branquear eventuais des­mazelos, deixando de se dar a devida atenção às árvores (sobretudo as de grande por­te) que estejam doentes e que possam provocar acidentes, quando sujeitas a episódios climáticos semelhantes ao que vivemos recentemente. Lanço então o repto para que Câmara Municipal e Juntas de Freguesias vigiem e tra­tem das nossas árvores, aba­tendo-as apenas se assim tiver de ser, não deixando nesses casos de as substituir por outras.

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