O grupo vilelense juntou-se no passado dia 13 de outubro e rumou ao Hospital S. João, no Porto, para doar o cheque de 4.100 euros, valor angariado na caminhada organizada pelo Junta-te.
Arrancaram ao início da tarde de Vilela, com destino à ala de pediatria oncológica do Hospital S. João, no Porto. A viagem no autocarro, pago através de um donativo anónimo, decorreu entre sorrisos e satisfação. A alegria era notória no grupo de mais de 30 elementos responsável pela boa ação.
Assim, chegados à “ala do Joãozinho”, foram recebidos pelo Dr. Manuel Melo, administrador da ala pediátrica, e pelo Dr. Nuno Farinha, pediatra oncologista. O momento foi de grande alegria e satisfação, não só para o grupo de vilelenses, como para os responsáveis da ala pediátrica. O Dr. Manuel Melo explicou ao Yes Paredes que a importância destes donativos vai, muito para além, da vertente económica: “É com muita alegria que vejo este momento, mas, mais do que o valor que foi amealhado, aquilo que para nós é importante é a tomada de consciência de uma região para um problema que existe na região Norte, na saúde materno-pediátrica, e que está em vias de ser resolvido, muito também graças a esta tomada de consciência da população, porque se tem mostrado inexcedível no apoio a esta causa.” O Dr. Nuno Farinha acrescentou ainda: “Fico muito sensibilizado, porque isto pode tocar a todos. Desde a família, aos amigos ou aos vizinhos.” O pediatra oncologista salientou ainda a “resiliência dos pais. Os pais aceitam muito porque veem que o resto está a ser feito. Aceitam estas condições que são muito complicadas. As pessoas não se apercebem que os doentes não são iguais. Não é a mesma coisa estar internado aqui meses, às vezes, nestas condições, ou estar internado durante uns dias. Eu admiro muito estes pais que têm aguentado tanto e, por isso, em nome deles, dos médicos e de todos os profissionais, muito obrigado pelo que vocês dão e, sobretudo, pela consciência que vocês têm da importância de um projeto destes.”
A falta de condições na ala pediátrica do hospital S. João, no Porto, é um problema há muito conhecido e Manuel Melo ressalva: “A resiliência dos profissionais é muito grande e ficamos muito contentes por a sociedade civil ter acordado para este problema e perceber que este é o “fim de linha” para uma série de crianças que não têm outros sítios para serem tratadas que não seja aqui, nomeadamente no que respeita à área oncológica e, portanto, não há outra solução que não passe por dar as condições dignas quer às crianças, quer às famílias e, também, aos profissionais.” Além dos profissionais, também “os pais se sentem sempre estimulados quando veem outras pessoas interessar-se pelo projeto deles”, explicou Nuno Farinha.
Mais conforto para as crianças
O valor angariado pelo grupo Junta-te vai servir para “fazer face a pequenos aumentos de conforto das crianças que estão cá internadas, ou seja, estas verbas são utilizadas, muitas vezes, como fundo de maneio para situações em que o hospital tem muito mais dificuldade, devido à sua burocracia, em intervir. Com estas verbas conseguimos manter uma sala com educadoras a funcionar ao sábado à tarde e ao domingo durante todo o dia, o que permite que as crianças internadas possam ter um sítio onde brincar durante o fim de semana. Seria algo muito complicado contratar mais alguém para satisfazer essas necessidades. São verbas que são utilizadas para dar conforto com pequenas coisas, como chaleiras, secadores, muda-fraldas, fraldas”, esclareceu Manuel Melo.
Os doutores Nuno Farinha e Manuel Melo fizeram questão de receber os elementos do grupo Junta-te, a quem agradeceram o gesto e a solidariedade.
À saída, o sentimento de “dever cumprido” era geral e Mariana Machado Silva disse mesmo: “Este é dos momentos mais felizes da minha vida”. A presidente da Junta de Freguesia de Vilela fez questão de acompanhar o grupo, de quem disse sentir “um orgulho muito grande.” A autarca acrescentou ainda: “Tenho que lhes agradecer, enquanto vilelense, enquanto jovem e enquanto cidadã deste país por existirem pessoas assim. Este grupo é como se fosse um filho para a junta, que tem todo o gosto e orgulho em vê-lo crescer e dar os primeiros passos. A forma que a junta encontrou para contribuir de uma forma mais ativa foi suportar todos os custos e encargos associados ao evento, mas o mérito de tudo o que se conseguiu é única e exclusivamente das pessoas que integram o projeto.”
O brilho nos olhos de Rosa Marques era visível. A comandante do grupo não podia estar mais feliz com o momento: “Não há coisa melhor do que ajudar estas crianças a ter um novo sorriso. Estou extremamente feliz, não há palavras para descrever, é uma alegria enorme contribuir para esta causa.”
Rosa Marques deixou ainda uma garantia: “Nós não vamos parar por aqui. No Natal, voltaremos cá.”
Cristina Borges





















