Antero Bessa, o rosto do Trial 4×4 em Portugal

Antero Bessa, o rosto do Trial 4×4 em Portugal

A última prova do Campeonato nacional Trial 4x4 realiza-se já no domingo em Vandoma, Paredes

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Antero Bessa

No próximo domingo, o concelho de Paredes recebe pelo 10.º ano consecutivo a final do nacional de Trial 4×4, a 8.ª desde que assumiu a designação de Campeonato de Portugal de Trial 4×4 (as duas primeiras em Baltar eram ainda Troféu Nacional e sem estar sob a égide de qualquer federação).

No centro deste evento e em particular da modalidade, está Antero Bessa, 45 anos de idade, sócio-fundador de dois clubes: o Trilhos do Norte e o Clube TT Rota dos Móveis. O primeiro assume a promoção do campeonato e o segundo a organização da prova de Paredes.

Apesar de ser natural e residir atualmente no concelho de Paredes, Antero Bessa passou grande parte da sua juventude em Lousada. E, como qualquer bom lousadense, concretamente da sua idade, a paixão pelos desportos motorizados está bem enraizada e teve o seu epicentro na pista da Costilha, desde as corridas de motocrosse, passando pelo autocrosse e ralicrosse. As grandes noitadas dos “aceleras”, que aconteciam nos fins de semana, quando Lousada recebia provas internacionais, um fenómeno que ficou conhecido a nível nacional e que juntava muitos jovens na estrada nacional junto ao Eurocircuito para exibir as sua habilidades, montados nas suas motos e ao volante dos seus bólides, foram recordadas por Antero Bessa nesta entrevista.

E foi a assistir a essas provas que pegou o bichinho por este desporto e também pela organização e dirigismo desportivo, onde teve a sua primeira experiência. Em dezembro de 2006 e nas primeiras eleições do Clube Automóvel de Lousada (CAL) na era pós Jaime Moura, integrou a direção que assumiu funções, primeiro liderada por Tiago Alves e depois por Isabel Melo. Esteve, portanto, envolvido na exigente organização de uma prova internacional, precisamente na última vez que Lousada recebeu o Europeu de Ralicross, em 2008.

Juntamente com um amigo, inicia-se como praticante de todo-o-terreno em expedições e passeios na zona de Bragança e trazem a modalidade para a região, formando o Trilhos do Nordeste Clube Todo-o-Terreno em 2001, começando por organizar provas de Navegação. Mas foi também na Costilha a sua estreia a organizar provas de competição. Decorria o ano de 2005 quando decidiram alugar a pista ao CAL, precisamente a Jaime Moura, de quem recebeu conselhos da importância de uma boa promoção dos eventos, como o próprio confessou. Realizada nos dias 12 e 13 de março de 2005, a prova, a contar para o Troféu Conforlimpa, superou as expetativas, repetindo a passagem no ano seguinte, agora com a designação Taça Trial 4×4 Assador Típico.

“Grande motivação e ver crescer o que fizemos”

No ano seguinte, Antero Bessa e o Trilhos do Nordeste são convidados a assumir a organização do Troféu, passando a apostar na internacionalização. São convidados pilotos espanhóis, a caravana passa também pela Galiza e passa a chamar-se Troféu Ibérico. Um ressurgimento meteórico de uma modalidade que se encontrava inerte e um trabalho reconhecido pelas entidades. Em 2011, a Federação Portuguesa de Todo o Terreno Turístico (FPTT) convida-os a assumir a organização do Campeonato Nacional.

“A grande conquista neste anos foi conseguir afirmar esta modalidade que é hoje uma grande competição e não uma brincadeira entre amigos que se juntam. Ficamos contentes quando o nosso trabalho é reconhecido e os órgãos de comunicação social também mostram interesse em divulgá-lo. Sem o público nada era possível, porque são eles que fazem com que isto cresça. Temos casas com seis a oito mil espetadores. A grande motivação vem de ver crescer aquilo que fizemos e ser dada cada vez mais importância a uma modalidade que, praticamente, não existia”, congratulou-se Antero Bessa, que fez um balanço positivo dos seis anos em que esteve como promotor do campeonato sob a égide da FPTT, a qual tiveram de abandonar devido a um problema provocado pelos seguros, passando o campeonato de 2018 a ser orientado pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK): “Tivemos uma evolução muito boa durante esses seis anos. Correu sempre tudo muito bem, exceto neste último ano quando confrontados com a questão dos seguros. Nós somos promotores da prova e acima de nós existem outras entidades que asseguram a segurança. Tivemos de procurar outra entidade, neste caso a FPAK, que tem encargos muito mais elevados e seguros muito mais caros, mas é uma entidade que dá outra credibilidade e visibilidade”.

“Pilotos e público vão ficar surpreendidos”

Depois de Baltar (2 vezes), Parque da Cidade de Paredes (3), Rebordosa (2) e Gandra (2), é agora a vez de Vandoma receber a caravana do Trial 4×4. “São dois fatores que nos levam a mudar os locais. Um deles é procurar pistas novas e o outro é encontrar condições melhores e este ano Vandoma foi a escolha”, clarificou o dirigente e sócio n.º 1 do Clube TT Rota dos Móveis, garantindo o espetáculo para o fim de semana: “Acredito que os pilotos e público vão ficar surpreendidos porque têm aqui uma pista quase 100% natural, mas é uma pista durinha e quem aqui ganhar vai ter de suar e trepar muito nestes montes. Garantidamente que os aficionados vão assistir a um bom espetáculo e, com as dificuldades criadas pela natureza, vamos ter aqui momentos de trial espetacular”.

Enquanto promotor e dirigente do clube local responsável pela derradeira prova do campeonato, Antero Bessa justificou a escolha de Paredes pelas condições de logística: “Somos sempre nós a organizar a última prova, porque para terminar deve ser em grande. Aqui é tudo pensado ao pormenor para que seja uma grande festa, porque se decidem aqui os títulos. A própria indefinição de quem vai ser campeão traz muita gente por parte das equipas. Nós como promotores do campeonato criámos todas as condições para receber as entidades envolventes, como a colocação de uma tenda VIP para assistirem à prova num lugar privilegiado”.

Antero Bessa esclareceu que, se existe algum ceticismo por parte das autarquias que recebem as rondas do campeonato, esse desvanece-se após a primeira passagem, avançando com alguns números que justificam a aposta: “O campeonato tem uma avaliação de 2,8 milhões de euros. A prova de Paredes é a melhor, a que tem mais visibilidade e é a que gasta uma maior verba na promoção, mas tem cerca de 600 mil euros de retorno”.

Este evento envolve cerca de 220 pessoas na organização da prova. Metade dos 130 sócios do clube estão de serviço, aos quais se juntam outros tantos responsáveis pela segurança (GNR, Polícia Municipal, empresas privadas, bombeiros e ainda associações). Dá pois muito trabalho, mas no final “o mais importante é vermos a casa cheia, termos aqui cinco ou seis mil pessoas. Isso é que nos dá grande satisfação”, finalizou Antero Bessa.

Refira-se que este ano o Clube TT Rota dos Móveis foi um parceiro importante da Câmara Municipal de Paredes na organização Shakedown do Rally de Portugal em Baltar e, no futuro, vai candidatar-se a organizar uma prova do Campeonato de Portugal de Ralicross, Kartcross e Super Buggy (PTRX).

Carlos Mota e Manuel Pinho
redacao@yesparedes.pt

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