“Na prática, temos o nosso pedido que não tem resposta e surge...

“Na prática, temos o nosso pedido que não tem resposta e surge um outro projeto”, Almeida Dias (CESPU)

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Almeida Dias, Presidente do Conselho de Administração da CESPU

Sendo a CESPU visada em todo este processo, pelo interesse nos serviços oferecidos por uma possível residência de estudantes, o YES Paredes foi conhecer a posição de Almeida Dias, Presidente do Conselho de Administração desta instituição de ensino.

YES: Quantifique a necessidade de aumento de residências universitárias?

Almeida Dias (AD): Ponto de partida: há necessidade de mais quartos com características especiais de residência aqui na região. Porquê? Porque mudamos de forma radical o tipo de população que temos na CESPU: 50% é oriunda da Europa e de outros países e não de Portugal. Eles querem ou apartamentos inteiros, ou estruturas em jeito de residências, sabendo nós que o que existe não chega. Havia um projeto aqui em frente, que acabou por ser construído, que deu muitas voltas até se conseguir concretizar, Nós junto da câmara anterior, levantamos a questão da necessidade de residências. Apareceram umas empresas de Lisboa, mas houve uns problemas e não avançaram.

Nós conseguimos convencer um grupo de investidores locais a fazer a residência que hoje está aqui e que nos resolve parte dos problemas. Estes investidores foram desafiados por nós, não temos qualquer sociedade, não temos qualquer ligação. Este grupo de investidores aceitou o desafio, e construiram a residência, que funciona bem e é um modelo que responde às necessidades dos estrangeiros. Os estrangeiros não têm carro, têm de estar perto e aqui estão mesmo em frente.

Seguindo esta lógica, falamos com os donos desta residência: ‘a proximidade é fundamental,  o know how que vocês têm já adquiriram e é importante. Nós precisamos de ter mais quartos. Vocês não querem fazer uma residência nos nossos terrenos, dando-nos como contrapartida algumas infraestruturas de apoio ao ensino, como uma sala de estudo e uma biblioteca, resolvendo um problema de espaços físicos de que estamos a precisar. Aceitaram o desafio, mas disseram algo muito simples: para isto ter viabilidade, é necessário ter um número x de camas, há a necessidade de pedir autorização para construir mais um piso. Solicitamos isso à câmara e, passadas algumas semanas, foram-nos solicitadas algumas alterações, acima de tudo para nós explicarmos as contrapartidas desta relação. E eu indiquei. Depois deste percurso, metemos os papéis na Câmara Municipal, fomos contactados para alterar o texto, uma ou outra indicação… Até agora, nada mais sabemos.

Entretanto fomos informados de que há uma instituição que está a pensar construir mais uma residência. Mostrei a necessidade. Mais tarde, soubemos o local onde pretendem construir e nós temos interesse em discutir esta situação. O local é mesmo próximo e nós entendemos que devemos dar uma opinião sobre o figurino do edifício, tem que se enquadrar com a instituição. Na prática, temos o nosso pedido que não tem resposta e surge outro projeto.

YES: Como vê o facto de este pedido ter tido mais celeridade que o vosso, apresentado antes, em maio?

AD: Eu se tivesse de escolher as palavras para responder a isso. Se calhar não fomos suficientemente competentes no nosso pedido para resolver o nosso problema.

YES: Alexandre Almeida referiu  que o vosso pedido necessita de uma alteração de loteamento.

AD: Estou a ter conhecimento disso por si. O que nos foi sempre solicitado é que tínhamos que dizer quais eram as contrapartidas, para quem ia fazer o investimento, o que seria dado à CESPU.

YES: Não ficou a CESPU de enviar um parecer à autarquia favorável a esse investimento?

AD: Numa conversa que eu tive sobre esse assunto quando o investidor veio cá, o que nos foi perguntado era se estávamos de acordo com a construção de mais uma residência. O que eu referi é que estamos sempre de acordo que haja mais oferta para os nossos alunos. Não há nenhum protocolo nem nenhuma relação entre nós… A única coisa que eu me comprometi a fazer é dizer que de facto quem pretenda investir nesta fase é bem-vindo. Porque nós estimamos ter aqui cerca de 1200 europeus. Temos 1000 e vamos esticar para o ano mais 200. As residências que estão aqui dão para 120 alunos. O que eu disse é o seguinte: fantástico, qualquer projeto que venha e que traga oferta até para nós é mais apelativo.

YES: Não ficou de enviar um parecer à autarquia?

AD: Fiquei de enviar uma carta que declarasse que  víamos com bons olhos que surgisse mais um projeto. Entretanto, fizeram-nos o favor de nos enviar o projeto, e o mesmo será instalado muito perto da instituição. É um edifício que ficará completamente à vista e colado ao nosso Campus. Nesse sentido, não dizendo nem bem  nem mal, aquilo que nós pretendemos é que venham mais residências, mas, tendo em conta aquilo que nos apercebemos que é o projeto, gostaríamos de ter uma reunião com os promotores, para também transmitirmos o que nós achamos e até para percebermos melhor o que pretendem fazer.

YES: Considera que houve alguma precipitação neste processo?

AD: Não lhe posso responder. Acho bem que este processo seja discutido e que avance, mas gostaria imenso que a nossa solicitação fosse da mesma forma despachada. Eu gosto que as coisas, quando se fazem, se façam rápidas. O que me parece mal é que o nosso processo esteja há não sei quanto tempo à espera de um pedido de informação… Isso é que não me parece nada bem e isso tenho de o dizer.

YES: Os parceiros poderão desistir?

AD: Independentemente de serem precisas várias residência universitárias, não haja dúvida nenhuma que as que aparecerem primeiro ganham uma vantagem de contactar com o mercado mais cedo. Podem começar a trabalhar o seu próprio cliente.

YES: Tendo em conta a demora de que falou, em relação ao pedido da CESPU, qual será a atitude da CESPU perante a Câmara?

Vou solicitar uma reunião com a Câmara Municipal para perceber o que se passa. Eu continuo a achar que são necessárias mais residências. Se nos confrontam, nós admitimos isso. Nunca seremos parceiros de nenhuma residência. Existindo residências, nós fazemos questão de dizer aos nossos alunos e tratá-las-emos da mesma maneira. O caso que pedimos é diferente, pois temos uma contrapartida visível, que para nós é muito importante, que é termos uma sala de estudo e uma biblioteca, que é a contrapartida pela utilização da superfície para que, durante um número de anos, tenhamos ali uma residência . Isto é, não somos sócios mas temos interesse neste projeto. Ainda bem que vêm pois vão-nos resolver um problema.

Residência Universitária de Gandra

Parece que há mais interesse no projeto A ou B. Temos interesse em todos os que tragam oportunidades, mas há um do qual temos uma contrapartida importante. É importante para mim ter a biblioteca e a sala de estudo.

Se, por acaso, os nossos parceiros não quiserem por algum motivo continuar a apostar nessa  situação, a CESPU vai ter um constrangimento. Tem de arranjar financiamento para uma biblioteca e para uma sala de estudo, que é a única maneira de conseguir fazê-lo. Estamos muito bem, crescemos bastante, mas temos compromissos. Temos projetos no estrangeiros, temos o hospital em Paredes, temos uma série de coisas que não nos permitem estarmos a fazer agora este financiamento. Por isso, é que procuramos negociar a sua construção. Aliás, estes parceiros poderiam estar a construir noutros terrenos próximos dos quais são proprietários, mas aceitaram o desafio de o fazer dentro do Campus, que é a tal situação da proximidade, mas em contrapartida teríamos a biblioteca e a sala de  estudo.

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