No início de mais um ano letivo, o Yes Lousada quer dar-lhe a conhecer melhor a realidade da educação no concelho. Esta semana, debruçamos-nos sobre os agrupamentos de escolas de
Vilela (AEV) e Lordelo (AEL).
Agrupamento de Escolas de Vilela
O AEV é composto por 6 estabelecimentos de ensino, duas escolas básicas e secundárias – Rebordosa e Vilela (sede); dois centros escolares modernos, com pré e 1º ciclo, em Vilela e Rebordosa; uma escola com pré e 1º ciclo, de estrutura tradicional, na Serrinha – Rebordosa, e uma escola com pré-escolar – S. Marcos, em Rebordosa.

Número de alunos acima da capacidade estrutural
Com 2275 alunos, o AEV não se depara, para já, com o problema da diminuição de alunos. O seu diretor, Albino Pereira fala mesmo em “lotação bastante acima da capacitação estrutural”. Apesar desta situação, o professor reconhece que “a progressiva diminuição de alunos faz parte de um dos grandes problemas do país, o envelhecimento demográfico, fenómeno que aqui no litoral ainda não se faz sentir com tanta intensidade”. A tendência de decréscimo do número de alunos no país é vista, no entanto, com apreensão, visto acarretar “uma reafetação de recursos, nomeadamente humanos”, salienta.
Greves não afetam ânimo dos professores
No início de mais um ano letivo que se adivinha perturbado pelas greves de docentes, Albino Pereira salienta a “resiliência e adaptação à mudança” como armas para fazer face à instabilidade. Apesar de tudo, mais do que ameaças, este diretor acredita que olhar para as mudanças como “oportunidades de melhoria e instituição de práticas de inovação pedagógica” tem sido o segredo para o sucesso no seu agrupamento.
“O ano letivo está a iniciar-se dentro dos parâmetros normais, com muita intensidade de trabalho e com grande disponibilidade de trabalho da parte de todos os nossos docentes”, descreve Albino Pereira, acrescentando que estão preparados para as greves, que “fazem parte de um processo para o qual teremos que estar preparados. Em última análise, refira-se que os docentes têm tido sempre um grande sentido de responsabilidade, colocando sempre os superiores interesses dos alunos acima de tudo”.
Descentralização de competências no âmbito da Educação poderá ser benéfica
Questionado sobre a descentralização de competências por parte do poder central em relação à educação, o diretor acredita que a “descentralização e desconcentração parecem-nos, em tese, benéficos e redutores das entropias do sistema” e manifesta-se disponível para trabalhar nesse sentido, apesar de algum ceticismo: “Estamos cá para colaborar e constatar se a municipalização, a efetivar-se, produzirá os tais efeitos desejados. Para já, parece-nos aceitável que as orientações estratégicas que derivam dos planos municipais, atualmente em gestação, procurem dar espaço à abertura do processo de municipalização”.
Flexibilidade Curricular e inclusão marcam entrada no novo ano letivo
Este ano as mudanças estão associadas à tão famigerada flexibilidade curricular, “processo que gerou novas matrizes curriculares nos anos iniciais de ciclo”, frisou. Outro “desafio” está relacionado com o diploma da inclusão., “que pretende aproximar ainda mais os alunos com necessidade permanente dos restantes alunos e integrá-los cada vez mais no espaço sala de aula”, explica.
Com ofertas formativas na área da informática, design, multimédia, animação sociocultural, turismo, saúde e desporto, em termos de ensino profissional, Albino Pereira explica que este se “desenvolve de forma diversificada e rotativa”. O diretor congratula-se com o facto de, para escolas com mais de 50 alunos, o agrupamento ter sido “considerado a melhor escola pública a ministrar este tipo de ensino no Norte do país”.
Escolas a necessitar de renovação
Albino Pereira lamenta que, no agrupamento, existam problemas relacionados com a desagregação dos edifícios: “estabelecimentos de ensino básico e secundário, mais aquele situado na cidade de Rebordosa”. O diretor queixa-se do tratamento desigual quando compara estes estabelecimentos com os da Parque Escolar: “Constata-se, de facto, uma grande injustiça relativamente às condições físicas que este dois estabelecimentos oferecem, situação que se agrava durante os meses de inverno”, salienta.
Projetos com enfoque na aprendizagem significativa
Numa altura em que se fala de necessidade de mudar a escola, o professor Albino Pereira reconhece que o “futuro do ensino passa por uma revolução do espaço sala de aula e pela forma como professores e alunos se relacionam no processo de ensino-aprendizagem. Neste momento, a prioridade passa por capacitar a comunidade escolar para encarar os ventos de mudança como uma grande oportunidade de renovar práticas e propósitos, tendo sempre como desígnio o incremento da felicidade dos nossos alunos”, afirma.
Assim, encarando este espírito de mudança, Albino Pereira espera que “os processos de flexibilidade curricular em cursos nos trouxessem os frutos desejados, ou seja, a melhoria dos processos de ensino-aprendizagem, bem como a sensação de que os nossos alunos encontrassem maior significado e sentido na aprendizagem”. O caminho já está a ser traçado: “Temos em implementação estratégias baseadas em Projet Leaning e Problem Learning e estamos com a expetativa que resultem em bons produtos”, afirma. Os projetos com sucesso são para continuar: “Queremos ainda continuar a implementar os nossos projetos internacionais, levando docentes, pessoal técnico e alunos a vivenciar experiências únicas de formação pela Europa”.
Faltam assistentes operacionais em Lordelo

Com um total de 1147 alunos, o Agrupamento de Escolas de Lordelo é composto por três estabelecimentos de ensino: a Escola Básica e Secundária de Lordelo (sede) e dois polos do pré-escolar e primeiro ciclo (Escola Básica n.º1 e Escola Básica N.º 2).
A diretora do Agrupamento, Beatriz Castro, reconhece que o decréscimo demográfico é uma realidade do país e da Europa, mas, “felizmente, nós não temos sido muito afetados por esta problemática, uma vez que o número de alunos tem-se mantido estável nos últimos anos”.
Beatriz Castro, diretora deste Agrupamento, mostra-se preocupada com “as mudanças sucessivas”, que “impedem que as políticas educativas sejam devidamente implementadas no tempo, impedindo, assim, de aferir da sua validade/qualidade”.
Apesar de tudo, neste início de ano letivo, o problema mais premente está relacionado com o número insuficiente de assistentes operacionais, que “está abaixo do rácio alunos/funcionários”.
Também a flexibilidade curricular é vista pela diretora como a mudança mais significativa deste ano letivo. A extensão do projeto Fénix, que visa combater o insucesso escolar, ao sétimo ano de escolaridade é outro desafio no terceiro ciclo.
O curso de Técnico de Comércio é a oferta do Agrupamento em termos de ensino profissional. Satisfeita, Beatriz Castro diz que vai ao encontro do “interesse da comunidade – quer das escolhas dos alunos, quer das saídas profissionais da região”.
Degradação de edifício da escola-sede
No campo das dificuldades, “o maior problema do parque escolar do agrupamento prende-se com a idade das instalações da escola-sede, que são antigas e estão naturalmente degradadas”, pelo que “seria prioritária a intervenção ao nível das infraestruturas da escola-sede e o reforço do número de assistentes operacionais do agrupamento”.





















