Festividades em honra  de Nossa Senhora da Hora

Festividades em honra  de Nossa Senhora da Hora

Dias 11,12 e 13 de Maio

0
COMPARTILHE
Comissão de Festas da Nossa Senhora da Hora - Vilela

Possivelmente iniciado no séc. XVIII, o culto a Nossa Senhora da Hora em Vilela tornou-se popular entre as grávidas, que pediam proteção no parto. As mães, agoniadas com as doenças dos filhos, também evocavam a santa para obter a recuperação da saúde das crianças.

Às  grávidas que imploravam à Virgem “uma horinha curta e boa” no parto e às mães aflitas, juntavam-se as estéreis ansiosas por conceberem o desejado filho, os solteiros que pretendiam arranjar namoro…  Os casais e namorados vinham beber um pouquinho de água de cada uma das sete bicas da Fonte para casarem, pois, segundo a crença, conseguiriam assim concretizar o desejo de casamento. Também os casados rogavam pela felicidade, os doentes suplicavam a cura, os tristes e oprimidos pediam para se libertarem… Assim, a Virgem passou a acudir a todos os males, sendo muitos os que ali vinham para cumprir promessas, em sinal de agradecimento por serem ouvidos em horas de enorme aflição.
As promessas dos devotos eram semelhantes àquelas feitas a outros santos, destacando-se a realização de um determinado percurso à volta da Igreja, de joelhos, em caráter penitencial. Outros ofereciam à divindade figuras em cera de partes do corpo que tinham sido curadas, sob sua proteção.

Também era usual os lavradores oferecerem produtos cerealíferos e hortícolas. Todas as ofertas eram guardadas no edifício situado no lado esquerdo da antiga Igreja Matriz, onde ainda se poder ler ‘Casa dos Milagres’.

As festividades em honra da Virgem realizam-se 40 dias após a Páscoa. Este ano a 11, 12 e 13 de maio, o fim de semana mais próximo da data certa. Durante várias décadas, a festa realizou-se na quinta-feira da Ascensão, mas, desde 1995 que passou a ser ao fim de semana. Uns consideram positiva a mudança, outras dizem que a mística da festa se perdeu. O que não se perdeu foi o culto à Nossa Senhora da Hora. Esse continua fortemente associado às mães e ao momento do parto, pelo que são muitas as mulheres grávidas ou com os filhos ao colo que vêm de várias localidades à festa de Vilela.

A vertente religiosa é muito forte e começa logo na quarta-feira antes, com a novena na capela de Nossa Senhora da Hora. A procissão de velas, à sexta-feira, realiza-se de dois em dois anos apenas, apresentando uma divisão em cinco procissões, que partem de cinco lugares diferentes da freguesia. A Eucaristia em honra da Virgem, celebrada no domingo da festa, é um dos pontos altos. A vertente religiosa termina com a procissão, que integra 7 andores.

Arraial de S. José foi a grande novidade

Além desta festa, Vilela celebrava, na altura do dia do pai, a festa de S. José no lugar com o mesmo nome do Santo. No entanto, esta deixou de existir há cerca de duas décadas, deixando a população desgostosa. A Comissão de Festas quis colmatar essa lacuna e devolveu a vida à tradição com um arraial. Célia Rocha, da Comissão de Festas, explica que a ideia foi “unir as pessoas, que ficaram sem a Festa de S. José”, e criar elos com a paróquia e as festas. “Vamos ver se nos próximos anos dão continuidade a esta nossa ideia”, espera.

Capela Nossa Senhora da Hora

Leilões, jantares, peditórios e cantares de Janeiras têm sido algumas das iniciativas para conseguir fazer face ao orçamento das festas, que ronda os 50000 euros.

A Comissão de Festas, para além do pároco  de Vilela, Padre Paulo Pinto, integra outros vilelenses: Célia Rocha, José Portelinha e Ricardo Pinto… Ao todo são dezassete elementos, “mas quem comanda o grupo são as mulheres”, diz Célia, que nos explicou que, normalmente, a comissão é nomeada, mas, como no ano passado não houve comissão, “reuniram um grupo de mulheres e convidaram-me… Acho que não havia gente suficiente e angariamos cinco homens… Começamos a trabalhar em outubro. E mantivemos o grupo de dezassete pessoas. O Padre é o presidente, o senhor Portelinha é o procurador, eu sou a secretária e o Ricardo que é o tesoureiro e juiz. Temos a juíza e os restantes são  mordomos”, explica.

Apesar de todos ajudarem, a organização passa pelo trio Célia, José e Ricardo. Célia afirma que não é fácil trabalhar com muitas pessoas, mas  as reuniões com todos os elementos ajudam. O certo é que têm conseguido levar a bom porto este trabalho: “Foi traçado um caminho desde o início, que começou no passeio a Fátima no dia 8 de dezembro e continuou com muitos jantares, cadernetas, bilhetes, patrocínios, peditórios… Vivemos numa altura de crise e as comissões de festas padecem com isso. Há uns anos atrás, era mais fácil, mas felizmente correu muito bem. Tivemos muito apoio das gentes de Vilela, e podemos dizer que temos o dinheiro todo para a festa, fruto do trabalho, mas também da ajuda das pessoas”, regozija-se. A última semana de trabalho será certamente a mais intensa, mas, sem o problema financeiro, acredita que será mais fácil.
Tendo em conta que começaram apenas em outubro, o resultado é extremamente positivo. “Imagine se começássemos mais cedo, rebentávamos as festas todas aqui das redondezas”, diz Célia, em tom de brincadeira.

Apesar de não terem arriscado contratando “ nomes mais sonantes”, esta Comissão acredita que vai ser um festa bonita. “Quem é de Vilela vive muito esta festa, é a única. O que fica realmente é o convívio diário, e isso cria laços entre as pessoas”, afirma, com satisfação.

A festa costuma ser, de facto, muito participada, com muita gente de fora. As antigas Festa de S. Tirso e de S. José convergiram numa só, o que faz com que as pessoas não queiram perder o evento festivo. “Esta é uma das primeiras festas das redondezas. Abre as festas, por isso cria também muita expectativa. É uma festa que marca a diferença entre a chuva e o sol”, remata.

PUB:

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA