“Nós pegamos numa Câmara completamente à deriva”, Alexandre Almeida

“Nós pegamos numa Câmara completamente à deriva”, Alexandre Almeida

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Alexandre Almeida, de 44 anos, é um paredense nascido e criado em Rebordosa. É casado e tem dois filhos. Foi candidato em 2013 à Câmara de Paredes, tendo chegado próximo da vitória, conseguindo-a pela primeira vez para o PS, nestes anos de democracia, em 2017, com mais de sete mil votos.

Muito perto dos 180 dias de governação, nesta primeira edição do YES Paredes, ouvimos o presidente da autarquia, para conhecer o seu balanço deste quase meio ano à frente dos destinos de Paredes.

YES: Qual foi a sua a principal motivação para encarar este desafio político?

Alexandre Almeida (AA): Em 2009, fui o número dois do candidato Artur Penedos e, já nessa altura, para o nível de endividamento que o concelho tinha, havia carências muito grandes. Tinha uma cobertura de água e saneamento muito fraca, que, aliás, de  2009 até agora pouco evoluiu. Estamos num concelho com 83 mil habitantes, com muita indústria, e é desafiante que o no concelho haja cada vez mais emprego, mas também uma melhor qualidade de vida. O nível de desenvolvimento e o nível de indústria que temos  reflete-se na qualidade de vida que o cidadão paredense pode ter e, estando nós a 20 kms da cidade do Porto e com oferta de trabalho, podemos fazer de Paredes um excelente sítio para viver.

YES: Qual foi o principal sentimento quando venceu estas eleições?

AA: O sentimento foi que a população percebeu a mensagem que nós trazíamos.  Também sentimos responsabilidade, pois nós comprometemo-nos com a população e agora temos de satisfazer os anseios da mesma. Esse foi o sentido de responsabilidade que sentimos pela frente. Temos muitos desafios pela frente porque temos muitas áreas onde vamos ter que atuar. Por exemplo, a nível financeiro, estamos a recuperar a Câmara Municipal. Uma área já está conseguida, que foi substituir os financiamentos que nós tínhamos de médio e longo prazo por financiamentos melhores.

YES: Qual foi a primeira avaliação que fez quando entrou na autarquia?

AA: Logo na primeira semana, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Em relação à primeira promessa, cumprimo-la: foi a questão da devolução do valor gasto pelas famílias paredenses com os manuais escolares. Nós sabíamos que era uma medida que nos iria custar 200 a 300 mil euros e que o nosso adversário dizia que era impossível fazer. Eu tinha dito que era perfeitamente possível, bastava para tal fazer uma alteração ao orçamento. Foi o que fizemos logo em outubro, fizemos uma alteração ao orçamento e logo em novembro começamos a devolver o dinheiro às famílias.

YES: Mas muitos desses pagamentos foram feitos só em janeiro…

AA: Não poderia ser de outra forma. Novembro era o prazo dado às pessoas para instruir o processo, e quem o fez na primeira semana ainda recebeu em novembro. Quem o fez mais tarde recebeu noutro mês. Para as pessoas, seria  ótimo não despenderam o dinheiro… Há outras autarquias que só devolvem o dinheiro no final do ano letivo.
Além disso, houve algumas promessas que estávamos impedidos legalmente de cumprir, mas posso dizer-lhe que, depois deste início de recuperação financeira que começamos já no ano passado, para o ano,  estaremos em condições de começar a cumprir, nomeadamente a questão da descida do IMI. Ou seja, nós tínhamos, por via do PAEL, o empréstimo do Plano de Apoio à Economia Local e estávamos condicionados a reduzir a dívida do município. Ora, o executivo que esteve aqui até agora não cumpriu essa redução e, como tal, tínhamos um relatório da IGF (Inspeção Geral das Finanças) que dizia que não poderiam ter descido a taxa de IMI, de 0,5% para 0,4%, como fizeram. Nós, com razão, não poderíamos agora ainda baixar mais, pois estávamos condicionados.
Neste momento, nós conseguimos substituir o empréstimo do PAEL por um outro com condições mais vantajosas, em que não só vamos conseguir poupar no pagamento de juros, como vamos, a partir do próximo ano, começar a reduzir esta dívida, cumprindo também essa promessa. No primeiro ano, não foi possível legalmente, mas, a partir do segundo ano, vamos fazê-lo de uma forma gradual até ao final do mandato.

YES: Qual é atualmente o valor da dívida total do Município?

AA: Nós vamos apresentar as contas no próximo mês, mas vai andar em torno dos 110 milhões de euros.

YES: Referiu, no passado, que era uma dívida impagável. Afinal, é ou não impagável?

AA: Não é impagável, mas foi preciso fazer um esforço para ver como é que a vamos pagar. Desde logo, substituímos as dívidas de médio e longo prazo por outras com taxas de juro mais favoráveis e alargamos o prazo de pagamento:  em média era de 14 anos e passou a 20 anos, justamente para acomodar um bocado mais a dívida. E, para além disso, tivemos que negociar com os principais empreiteiros, no sentido de lhes pagar a dívida que está vencida em apenas 3 anos.
O que posso dizer é que, quando cheguei cá, o cenário que encontrei em termos financeiros era muito pior do que aquele que nós imaginávamos e não sabíamos que, em pleno ano de eleições – e as contas de 2017 só são apresentadas em 2018 –  foram lançados 15 milhões de euros de obras. A receita que nós tínhamos certa, para fazer face a esses 15 milhões de euros, era na ordem de um milhão, um milhão e meio de euros. Portanto, pode ver o desfasamento do valor de obras assumidas e a receita que temos para fazer face a essas despesas. É certo que, dos 15 milhões, nem toda obra avançou em 2017. Avançaram cerca de 9 milhões de euros, há 6 milhões de euros que estamos nós agora a executar, ou que vamos fazer no futuro, mas o certo é que o problema está lá. Vai ser preciso poupar muito na parte corrente da Câmara Municipal, para juntar esse um milhão e meio de euros para começar a pagar a todas essas obras assumidas em 2017.

YES: Afinal sempre vai ser feita a auditoria externa às contas do Município?

AA: Essa primeira auditoria foi feita por nós, quando entramos. Começamos a ver como é que estavam as coisas, o que é que estava contratualizado com os empreiteiros e a forma de faturação. Para ter uma ideia, desses 15 milhões de euros, só cerca de 5% dessa obra seria faturada em 2017 e o restante em 2018. O que significa uma coisa: que, no final deste ano, quando as contas aparecerem, apesar de nós estarmos num ano de contenção e não avançarmos com obras novas, a dívida ainda vai subir mais. Porque grande parte daquilo que foi feito em 2017 só vai ser faturado em 2018. Portanto, depois da apresentação das contas, vamos solicitar uma auditoria, porque, primeiro, queremos ter um referencial, que são as contas de 2017, esse é o ponto de partida da auditoria, mas também queremos que essa auditoria nos mostre e faça prova que a dívida que vamos apresentar em 2018 advém de contratos feitos em 2017. Essa auditoria vai ser importante. Vamos contratar uma auditoria externa para realizar este trabalho, depois da apresentação de contas de 2017, em abril.

YES: Pondera recorrer à justiça se o relatório apresentar graves anomalias?

AA: Não, o objetivo não é esse. O objetivo é mostrarmos à população que, quando, em 2018, a dívida da Câmara aumentar, não foi pela nossa ação, mas pela ação de quem esteve aqui no passado, que se comprometeu com obras, mas sem receita para as pagar.
Independentemente disso, há outras situações que nós já apuramos, que não têm a ver propriamente com a auditoria e que vamos pedir alguns esclarecimentos adicionais.

YES: Além da dificuldade financeira…

AA: Nós pegamos numa câmara, em muitos aspetos, completamente à deriva, ou seja, não havia qualquer plano de manutenção dos equipamentos, as coisas estragavam e mandavam-se reparar… Há regras básicas de gestão que nós estamos agora a implementar e que, ao longo desses anos todos, a Câmara de Paredes nunca as teve implementadas. Já para não falarmos dos graves problemas dos centros escolares, que estamos a tentar resolver agora. Temos centros escolares acabados de fazer, com gravíssimos problemas, que, aliás, elencamos quando fizermos agora um balanço dos nossos 180 dias à frente da Câmara Municipal. Vamos dar nota desses graves problemas que a carta educativa tem infelizmente em Paredes. Para além de estarmos nós agora também condicionados pelos fundos comunitários, pois temos de devolver cerca de seis milhões de euros daquilo que nos foi dado. O que é certo é que estamos a resolver os gravíssimos problemas dos centros escolares, alguns acabados de fazer. São problemas inadmissíveis e que não deviam ter acontecido, que resultam de falta de acompanhamento e fiscalização dessas obras.

YES: Além dos novos centros escolares, temos problemas de escolas mais antigas com graves problemas. Por exemplo a Escola Básica e Secundária da Rebordosa, entre outras. Como pensa resolver esta questão?

AA: São problemas gravíssimos mas que advêm do facto de as escolas terem mais de 30 anos  sem qualquer tipo de manutenção ao longo desses anos. Numa primeira fase, essa manutenção era da responsabilidade do Ministério da Educação. Entretanto, a Câmara teve, à volta de 10 anos, a responsabilidade pela educação e, nesse período, nada fez e, portanto, depois entregou de novo os poderes no âmbito da educação ao Ministério, no final de 2016. Em relação àquelas escolas que estão com problemas mais graves, como a secundária de Rebordosa e a de Lordelo, nós temos fundos comunitários para fazer obras. Ainda estamos a discutir usar esses fundos comunitários para resolver o problema de devolução dos 6 milhões de euros dos centros escolares, mas, de qualquer forma, da minha parte já houve um compromisso de avançarmos com essas obras, independentemente se vamos receber os fundos comunitários ou não. E, como o montante que vamos utilizar para fazer essas obras não é o suficiente, há um compromisso também do Ministério da Educação para complementar as verbas acima daquele montante que nós temos disponível.

YES: A nível de recursos humanos…

AA: A nível de recursos humanos, temos tido uma aceitação e uma colaboração total. O que é certo é que temos algumas necessidades de mão de obra, a nível de cantoneiros, calceteiros e trolhas. Uma das questões que nos tínhamos prontificado a fazer eram obras por administração direta, mas para isso temos a necessidade de aumentar o número de efetivos para aumentar o número de obras que fazemos. Já temos calcetado ruas com mão de obra nossa. Mesmo a esse  nível estamos a pensar comprar mais alguns equipamentos para fazer mais pavimentações de ruas, com mão de obra nossa. Temos algumas dificuldades em relação ao número de efetivos, mas não será este ano que vamos tentar ajustar o número, mas sim no próximo.

YES: O que mudou em Paredes com a sua governação?

AA: Em termos culturais, passamos a ter uma agenda cultural semanal, que não tínhamos. Em termos financeiros, já lhe falei. A nível da educação, demos o apoio nos manuais escolares. Em relação às atividades económicas, temos a captação de novas empresas todos os meses e,  brevemente, vamos fazer esse balanço das empresas que se fixaram em Paredes nestes 180 dias.
Em termos das obras, a aposta foi começar com as obras por administração direta e fazer mais obras em colaboração com as juntas de freguesia. Nós defendíamos em campanha que um euro gasto numa junta de freguesia rende muito mais que um euro gasto pela Câmara Municipal de Paredes. Então, temos feito protocolos com todas as juntas de freguesia, para quem transferimos competências, por exemplo para pavimentação de ruas, e as verbas para as fazerem.

YES: Independentemente das cores partidárias das juntas de freguesia?

AA: Claro. Essa, aliás, foi sempre uma questão que pusemos em cima da mesa. Já foram definidas algumas freguesias para este primeiro ano, tendo em conta o balanço que tínhamos feito, de acordo com as obras já feitas ou por fazer. Para o ano, serão outras e será assim durante estes quatro anos.
A nível social, temos tido a preocupação de apoiar muito quem precisa. Temos também a questão dos medicamentos para os mais idosos. Já tínhamos bastante afluência a esse nível. Para além disso, temos criado alguns programas, como é o caso do Viver Melhor, para pessoas que estão a ter acompanhamento de psicólogos, e a educação física, que de outra forma não teriam.
Ao nível dos jovens, já fizemos uma reunião com eles para os ouvir, o que é muito importante. Mais que estar a impor uma política de juventude pré-feita, quisemos ouvi-los, para saber qual é a sua expectativa  em relação à Câmara Municipal e criar soluções para eles.

YES: Vai cumprir os 600 mil euros anuais que prometeu para o apoio ao empreendedorismo jovem?

AA: Claro que sim. Aliás, o apoio ainda será maior. Quando criamos vários incentivos para fixar novas empresas no concelho e muitas dessas empresas são criadas por jovens, quando damos isenção de IMT na compra de terrenos ou fábricas que já existem, quando damos isenção de IMI durante 5 anos  e isenção de derrama… tudo somado, quando chegar ao final do ano, vai ultrapassar os 600 mil euros.

YES: Sobre o programa da oferta de medicamentos, qual é avaliação que faz dessa medida?

AA: O programa é muito recente. Começou em janeiro. O que posso dizer é que pessoas com mais de 65 anos e com doenças crónicas já têm feito esse pedido. Mesmo que não tenham os 65 anos, mas tenham carências económicas, serão apoiados. No caso de terem mais de 65 anos e doenças crónicas o apoio é dado ao longo do ano.

YES: Como refuta as críticas da oposição em relação às nomeações ou contratações neste início de mandato?

AA: Qualquer executivo, quando é eleito, tem de fazer nomeações. A própria lei assim o determina. Pode fazer x nomeações de pessoas que o vão apoiar. Como é óbvio, eu teria de ter alguém a apoiar-me e muni-me de pessoas da minha confiança. Isso é só sinal de que a oposição tem falta de ideias e falta de nos criticar naquilo que é essencial. Eu gostava que nos criticassem por eu já estar sentado à mesa com a Be Water a resolver problemas que em 40 anos ninguém resolveu. Ninguém nos critica quanto a isso. Agora, em relação a aspetos que não têm nenhuma razão de ser, estão a fazê-lo. Têm o direito, mas isto está tudo mais do que esclarecido.
Nós, neste momento, estamos a renegociar o contrato que temos com a Be Water. Já me fizeram a pergunta se passaria pela rescisão e eu disse logo que isso estava fora de questão. O caminho é conseguir renegociar o contrato com a entidade, e isso passa por aspetos essenciais, desde logo envolvendo toda a parte sul do concelho, de Gandra para baixo, Sobreira, Recarei e Aguiar de Sousa. São zonas onde a Be Water nunca fez saneamento nenhum porque também não fornecia a água e, como tal, foi-lhe dito que vamos ter que encarar a concessão só numa parte do concelho. Essa parte do concelho vai ter de deixar de fazer parte desse contrato de concessão e nós aí, juntamente com as juntas de freguesia e com quem já está a oferecer a água, é que vamos ter de tentar fazer o saneamento. Isso vai sair da concessão.
Depois há outras questões em cima da mesa: nós não podemos dar desculpas às pessoas para não fazerem a ligação da água e saneamento. As pessoas não fazem pois têm de pagar um valor elevado pela ligação ao saneamento, à volta de mil euros. Sabemos que já há concelhos onde as concessões preveem o não pagamento dessa taxa de ligação e é isso que também estamos a tentar fazer. O que faz com que as pessoas não façam a ligação é a questão do preço da  água. O preço da água e do saneamento em Paredes é mais caro que a média da Área Metropolitana do Porto. Há também questões que devem ser vistas, como o custo da água para as IPSS, que pagam um valor muito superior ao que paga um particular, coisa que nós entendemos que não pode ser porque, pela sua natureza, consomem muita água, com a lavagem de roupas. O próprio custo da água para o Município, que tem muitos equipamentos que gastam água. Isso tudo está em cima da mesa.
Há o reverso da medalha, a Be Water também só estará na disposição de ir ao nosso encontro se nós garantirmos que, nos locais onde existem saneamento, haverá uma maior taxa de adesão ao serviço. Não basta só fazermos o ramal de saneamento em determinada rua, se depois não nos comprometermos que as pessoas fazem a ligação. Esse é um trabalho que nós, juntamente com as juntas de freguesia, iremos fazer, para que  as pessoas entendam as vantagens que têm a ligação da água e do saneamento, e ajudemos a que a empresa que faz o investimento tenha o retorno.
Isto vai claramente ser alterado, espero eu até ao final de abril. Depois, o novo contrato vai ser celebrado muito em breve.

YES: Fala numa nova vida para a cidade de Paredes, à qual se associam algumas questões, como a requalificação da área das Laranjeiras, o pavilhão multiusos, o estado do Bairro do Sonho, o realojamento da comunidade cigana…

AA: Colocou três questões que dizem muito respeito à cidade de Paredes. Como sabe, esse é um dos nossos grandes objetivos. O concelho de Paredes bate-se com o facto de ter quatro cidades, o que faz dispersar um pouco a população. Posso acrescentar uma situação que em breve vai ser alterada, que é o trânsito na Avenida da República. Isso já está estudado e prestes a ser apresentado aos comerciantes e à cidade de Paredes. Está pendente de uma rotunda que, inevitavelmente, nós estamos a preparar e tem que nascer no final da Avenida da República, ou seja, o trânsito vai fazer-se nos dois sentidos. Daí a necessidade de uma rotunda para facilitar a saída e a entrada de veículos.
Mas, centrando-me naquelas três de que falou, o Pavilhão Municipal das Laranjeiras é uma prioridade para nós, mas primeiro é preciso comprá-lo, porque o pavilhão custou 1.580.000 euros, mas só foi dado um sinal de 300 mil euros. Então, estamos à espera do visto do tribunal de contas para pagar o restante, 1.280.000 euros. Portanto, o facto de a situação financeira da Câmara não ser a melhor, dificulta-nos a obtenção desse visto, mas estamos a contornar todas as dificuldades, para obter esse visto e fazer a compra. Logo que a compra seja feita, vamos avançar de imediato. Já estamos a estudar transformar aquele pavilhão num pavilhão multiusos, capaz  não só de albergar eventos desportivos, mas também eventos culturais. Essa é uma questão.
A requalificação dos outros espaços vai ficar mais para frente, sendo que a piscina exterior, em princípio, não será construída lá. Estamos a pensar  na hipótese de ser construída no Parque da Cidade. Mas a piscina também será tratada, para o próximo ano.
Quanto à questão que colocou dos bairros sociais, há fundos comunitários para que possamos fazer obra nesses bairros, mas temos algumas dificuldades. Primeiro porque não estamos a receber os fundos comunitários. E porque o problema do bairro social não é todo nosso, o que causa ali alguns problemas de interação com os condomínios, porque nós só podemos fazer obras na parte que seja nossa cota parte de propriedade nos patrimónios. Mas já fizemos obras em alguns e estamos a projetar obras em habitações sociais.
Quanto à questão do realojamento da comunidade cigana, é óbvio que quer a população em geral e que você em particular têm a tentação de esperar que nós, em cinco meses, consigamos fazer o que não foi feito durante quarenta anos. Mas posso dizer-lhe que já conseguimos colocar algumas famílias da comunidade cigana em casas arrendadas fora daquele local. Lá há muitas realidades, uns que não querem ficar juntos, outros que não suportam viver separados e estamos a tentar, com soluções de habitações fora dali, resolver esse problema e garantir que até ao fim desses quatro anos, vamos conseguir isso. É um de nossos grandes objetivos.

YES: Qual é a estratégia e marca do Município? Qual o futuro que terá o projeto Art on Chairs, que até foi premiado?

AA: Essa resposta é muito fácil de dar. O projeto Art on chairs  teve de ser abandonado até porque ele  começou por um aspeto que eu achava interessante: associar o nome de Paredes à indústria do mobiliário, ao design e à inovação. Concordo perfeitamente com isso, só que depois evoluiu por caminhos errados, que era criar uma marca,  a marca Wido, e pôr alguns fabricantes da indústria de mobiliário a produzir mobiliário para esta marca e comercializá-la. A Câmara Municipal não se pode substituir aos industriais de mobiliário. Não há nenhum industrial  de mobiliário de sucesso em Paredes que esteja na disposição de estar a fazer móveis para a Câmara Municipal de Paredes, quando tem que desenvolver as suas marcas. Isso não tinha pernas para andar. Agora temos uma estratégia clara, de promover a indústria do mobiliário e associar-lhe o nome de Paredes. Pode dizer que marcas como a ‘Rota dos Móveis’ e a “Art on chairs” foram abandonadas. Nós temos que dar grande enfoque ao nome Paredes. Quando se ouvir falar de Paredes, não pode haver dúvidas de que Paredes é aquele município do Porto, que faz parte do Vale de Sousa e tem que se associar Paredes ao mobiliário, inovação, designer e qualidade. Já estamos a desenvolver  estratégias, que vão passar por algumas feiras internacionais, nomeadamente na Europa e fora da Europa. Também poder ter uma participação institucional, que, além de estarem lá os nossos industriais imobiliários, apareça lá também a marca Paredes, para que as pessoas associem Paredes ao local onde se encontra mobiliário de qualidade com design, e inovador.

YES: A imagem da cadeira como logótipo do concelho irá continuar?

AA: Neste momento, não vejo problema nenhum. Até gosto dela.

YES: Como caracteriza as primeiras críticas apontadas pela oposição?

AA: Eu, sinceramente, estava à espera que fizessem mais críticas, porque só nos fizeram críticas relativas a coisas que não estavam ao nosso alcance, como críticas por não se baixar o IMI, quando sabem que estávamos impedidos de o fazer… Cumprimos tudo o que estava ao nosso alcance. Quanto à questão de criticar as nomeações, isso não faz qualquer tipo de sentido, portanto, acho que não me posso queixar da oposição. A ausência de críticas só mostra que estamos no caminho certo. E que, em tão curto espaço de tempo, era impossível fazer melhor.

YES: Qual a sua visão para estes 4 anos? Que obra gostaria de deixar?

AA: Basta pegar nos compromissos que nós assumimos. A questão dos manuais escolares, que já cumprimos… Mas nós temos que dar vida à cidade de Paredes, como já lhe falei. Isso passa por adquirirmos o Pavilhão Municipal das Laranjeiras. Em termos culturais, dinamizar ainda mais o concelho de Paredes. Estamos a começar, mas temos que fazer ainda mais. Precisamos da piscina como disse, no centro de Paredes, e depois o nosso programa consubstancia-se muito nos programas eleitorais das nossas juntas de freguesia. Basta pegar em todos os programas eleitorais e vermos as necessidades que o concelho de Paredes tem.
Eu vou fechar, no final desses quatro anos, com um panorama completamente diferente. Pela primeira vez, alguém tem que assumir se no sul do concelho nós estávamos com problemas no saneamento porque a concessão não entrava. Tem que se afastar realmente o sul do concelho da concessão e isso nós vamos ter que fazer.
E depois temos ‘n’ de obras de proximidade, que não aparecem nos jornais, mas é aquilo que interessa às pessoas, que é melhorar a recolha do lixo, que é melhorar as pavimentações… Essas obras de proximidade vão ter de ser uma constante ao longo destes quatro anos. Não vai nos faltar trabalho.

YES: Tem alguma meta para o saneamento neste mandato?

AA: Posso dizer que, desde logo, no norte do concelho há freguesias onde não há água e saneamento, e têm que passar a ter. Naquelas onde já existe, vamos ter que aumentar, vamos ter que estudar novas ruas onde a Be Water faça o investimento e nós nos comprometamos que pelo menos 50 ou 60% de quem lá mora fará a ligação. E temos, pela primeira vez, que avançar com o saneamento no sul do concelho e garantir que, no final de quatro anos, haverá já algum saneamento, é óbvio que não vamos poder cobrir toda a freguesia, mas já começará a haver saneamento na Sobreira, em Recarei e em Aguar de Sousa . Vamos começar nos centros onde tem mais população pois há situações ridículas neste momento. Por exemplo, na zona de Sobreira, temos uma Etar que dá para mais ou menos 500 focos e está parada, porque não há saneamento a fazer chegar as águas residuais à Etar, temos o equipamento mas não temos os ramais a chegar lá.

YES: Qual será o futuro do Tribunal de Paredes, com a saída do DIAP para Penafiel?

AA: Primeiro, se sair uma parte do DIAP para Penafiel, não vai afetar em nada os advogados e sobretudo os advogados estagiários de Paredes, porque estamos a falar de uma parte do DIAP que lida com os crimes económicos. Já há uma parte desses crimes económicos já são tratados em Penafiel. O DIAP em si, que investiga os crimes mais correntes, vai continuar em Paredes, que é aquele que interessa aos advogados e estagiários de Paredes. E a saída do DIAP para lá vai abrir-nos portas, vamos passar a ter mais uma instância central em Paredes, que é a instância central cível. Nós não temos essa instância em Paredes, ou seja, qualquer situação de indemnização de 25.000 euros já não era tratada em Paredes, mas sim em Penafiel. Já estamos a trabalhar no sentido de o conseguir. É preciso alargar o Palácio da Justiça, pois, mesmo com essa saída do DIAP, não tem condições físicas para alargar a instância central. Nós estamos à espera de aumentar o Palácio da Justiça. Nesse caso, conseguimos ter cá a instância central cível, para os advogados e para a população em geral de Paredes, o que seria muito positivo.

YES: Qual a garantia?

AA: O que eu posso garantir é que, fazendo esse aumento do Palácio da Justiça, há um comprometimento da instância central para criarmos aqui uma instância central cível.

YES: Considera que foi positivo para o concelho de Paredes sair da Associação de Municípios do Tâmega e Sousa e passar a integrar a Área Metropolitana do Porto?

AA: O concelho de Paredes identifica-se muito com a Área Metropolitana do Porto. Posso dizer-lhe que agora, na altura em que se começa a discutir a descentralização, algumas das medidas estão em análise neste momento, sobretudo na mobilidade, falando-se na possibilidade de haver um passe único, para que as pessoas utilizem mais os transportes públicos em toda área do Tâmega ao Porto. Ou seja, haver um passe único, para que uma pessoa de Matosinhos possa ir à Casa da Música, e com o mesmo passe possa ir de Paredes também à Casa da Música. Se avançar o que está previsto, será uma grande vantagem para a área metropolitana do Porto. Continuamos a ter uma boa relação com os outros municípios do Tâmega e Sousa, sendo o sistema de tratamento de lixo que é gerado em Paredes feito pela Ambisousa. Mas sei que esta inclusão na Área Metropolitana do Porto vai dar frutos.

YES: Neste último fim de semana, realizou-se o XVIII Congresso da Federação Distrital do Porto do PS. Foi um sinal relevante para a cidade de Paredes?

AA: Na verdade, foi um reconhecimento do trabalho político que temos feito. Até agora esteve no poder em Paredes quer o CDS, quer o PSD e nenhum deles teve aqui um congresso distrital em Paredes. Nós fomos eleitos pela primeira vez em outubro, e entendeu-se  que o congresso a nível distrital seria em Paredes, até pelo conhecimento do papel político que temos vindo a desenvolver. Foi uma forma de afirmação cada vez mais do PS Paredes e do serviço que temos prestado à população. Foi um momento para atrair a Paredes todos os congressistas, de todos os concelhos do Porto. Estavam lá cerca de 700 pessoas. E ficaram a conhecer melhor o concelho. O importante foi discutir política em Paredes.

YES: O que pensa sobre o surgimento deste novo jornal, YES Paredes?

AA: A comunicação social é importante para a democracia,  para dar voz ao que a quem está no poder, como dar voz à oposição. Sendo um meio de comunicação social que se vai dedicar mais ao o concelho de Paredes, e desde que tenha uma postura de transparência, o que eu acho que irá ter,  vejo-o com muito bons olhos e desejo-lhe os maiores sucessos.

 

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