Naquele tempo era tão alto o horizonte
Que a menina o carregava cada vez que ia à fonte
Levando à cabeça açafates de ilusão.
Sonhava livros e contos de fadas de encantar
Que nas noites escuras em que mais brilha o luar
Lhe acendiam candeias no seu frágil coração.
Tudo era tão longe e distante das montanhas
Que o seu querer e fé eram de tal forma estranhas
Como se cada degrau subido fosse um talismã.
Porem o sonho da montanha deixou de ser quimera
E, numa noite de luar, quando já entrava a primavera
Surge a alvorada com a estrela da manhã.
Os Tojos e as e fragas da montanha luminosa
Acendem das giestas florida fachos em pétalas de rosa
Perfumando os caminhos onde o sonho vai passar.
Eis a história da menina azul e sonhadora
Que pisou cardos, mas saiu da vida vencedora
Até ligar com versos as margens da montanha ao mar.
Donzília Martins























